Terremotos e Tsunamis no Brasil?
Há pouco tempo, deparamo-nos, em vários jornais, sejam materializados em papéis, sejam os dos sítios da grande rede, com um desastre de dimensões globais. O povo japonês foi assolado por um dos terremotos mais potentes de sua honrosa história. Como se tal tragédia não fosse suficiente, o abalo terrestre deu origem a um tsunami (onda gigante) absurdamente dantesco, que simplesmente varreu ruas, bairros, cidades e, principalmente, a dignidade japonesa.
O terremoto de 8,9 graus na escala Richter e suas danosas e cruentas consequências alarmaram o mundo para o perigo da verdadeira força vandálica da natureza. Ou do homem?
O assunto do dia seguinte nas mesas de bares, no trabalho e até no futebol não era outro, senão o que acontecera em terras nipônicas. No Brasil, um dos nossos sentimentos primitivos, qual seja o medo, sempre se atenuava quando um dos interlocutores soltava a seguinte pérola: - Aqui no Brasil não tem essas coisas loucas não. Graças a Deus.
Será?
Poucos dias depois dessa catástrofe, quando entrava na internet para saber um pouco mais do desenrolar desse verdadeiro drama, até porque uma crise nuclear pairava estourar por lá devido ao vulto dos estragos, li que em Pernambuco, mais especificamente em Caruaru, ocorrera um tremor de 2 graus na escala Richter. Sim, no Brasil, mesmo que não significativamente, acabara de se perceber a ocorrência de um terremoto. Rapidamente, as discussões voltaram à tona, e aquele tal interlocutor tranquilo da famosa máxima, começou a sentir que, definitivamente, “o negócio era mais embaixo”.
Depois de mais uma notícia preocupante, liguei para um grande amigo meu, para ver se entendia mais do fenômeno que parecia estar acontecendo no mundo todo. O nobre colega me explicou, de forma deveras luzente, que o encontro tensional de placas tectônicas era o que causava o temível terremoto. Disse-me ele que, devido ao atrito entre as placas, uma acaba por deslizar na outra (atrito de escorregamento) ou rolar sobre a outra (atrito de rolamento), ocasionando assim um abalo de proporções consideráveis, principalmente nas porções de terra que se encontram geograficamente posicionadas em cima desse sinistro encontro (que é o caso do Japão). Arrematou sua explicação dizendo que o miniterremoto daqui de Pernambuco só ocorrera, pois a cidade de Caruaru se encontra sobre uma pequena e antiga fissura da estrutura terrestre. O Brasil, como um todo, não está posicionado sobre uma confluência de placas, e por isso, não corre sérios riscos de sofrer com tais intempéries.
Desliguei o telefone, e num momento de abstração, comecei a imaginar se no Brasil realmente não havia a possibilidade de existirem terremotos ou tsunamis. Depois de muito vagar da minha consciência, atestei categoricamente que aqui acontecem sim grandes terremotos e tsunamis. Ou o mensalão não é o resultado do atrito de placas podres que se julgam o arauto da moralidade intentada por Kant? Os inúmeros superfaturamentos de obras públicas não são o resultado do encontro de blocos oligárquicos e patrimonialistas putrefatos? Os desvios de verbas destinadas à saúde e à educação são o quê, senão a consequência do encontro de rochas imponentes, mas sujas, com outras influentes, porém mal-lavadas?
Ora, essa constatação é diáfana como a água oriunda das nascentes, é clara tal como o líquido cefalorraquidiano. Por outro lado, é também lamentável. É deplorável ver um país tão rico, em todos os sentidos, originar terremotos e tsunamis de grande magnitude, que matam a sangue frio milhares e milhares de pessoas por dia. Não quero aqui minimizar ou camuflar os desastres e desesperos da terra de Akihito. Muito pelo contrário, a minha intenção é mostrar que tais forças devastadoras podem não ser, necessariamente, originadas, de forma primária, pela natureza. E isso é o que mais me preocupa.
Façamos o nosso papel. Comecemos pelo nosso chão. Não estamos falando de uma pátria amada e idolatrada? Então: salve, salve!
Formado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/RJ).
Professor de Oratória e dicção pelo (Conservatório Nacional do Rio de Janeiro).
Empresário do ramo Imobiliário em Rio das Ostras/RJ.
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